"A Cigarra e a Formiga"
- 30 de abr. de 2024
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"A Cigarra e a Formiga" é uma das fábulas atribuídas a Esopo e recontada por Jean de La Fontaine em francês.
Esopo conta a história de uma cigarra que canta durante o Verão, enquanto as formigas trabalharam para acumular provisões no seu formigueiro. No Inverno, desamparada, a cigarra faminta pede-lhes um pouco dos grãos que punham a secar; interrogada sobre o que fizera durante todo o Verão, responde que não tivera tempo para juntar comida pois "cantara melodiosamente", ao que as formigas respondem que se cantara no Verão, que dançasse no Inverno.
Ao longo do tempo, a história sofreu releituras por vários escritores, humoristas, teatrólogos e outros artistas. Mesmo na propaganda a fábula é utilizada. O escritor brasileiro Monteiro Lobato recontou a fábula, no contexto do "Sítio do Picapau Amarelo".
«Houve uma jovem cigarra que tinha o costume de chiar ao pé dum formigueiro. Só parava quando cansadinha; e seu divertimento então era observar as formigas na eterna faina de abastecer as tulhas.
Mas o bom tempo afinal passou e vieram as chuvas. Os animais todos, arrepiados, passavam o dia cochilando nas tocas.
A pobre cigarra, sem abrigo em seu galhinho seco e metida em grandes apuros, deliberou socorrer-se de alguém.
Manquitolando, com uma asa a arrastar, lá se dirigiu para o formigueiro.Bateu – tique, tique, tique…
Aparece uma formiga friorenta, embrulhada num xalinho de paina.– Que quer? – perguntou, examinando a triste mendiga suja de lama e a tossir.
– Venho em busca de agasalho. O mau tempo não cessa e eu…A formiga olhou-a de alto a baixo.
– E o que fez durante o bom tempo, que não construiu sua casa?A pobre cigarra, toda tremendo, respondeu depois dum acesso de tosse.
– Eu cantava, bem sabe…
– Ah! … exclamou a formiga recordando-se. Era você então quem cantava nessa árvore enquanto nós labutávamos para encher as tulhas?
– Isso mesmo, era eu…
– Pois entre, amiguinha! Nunca poderemos esquecer as boas horas que sua cantoria nos proporcionou. Aquele chiado nos distraía e aliviava o trabalho.Dizíamos sempre: que felicidade ter como vizinha tão gentil cantora! Entre, amiga, que aqui terá cama e mesa durante todo o mau tempo.
A cigarra entrou, sarou da tosse e voltou a ser a alegre cantora dos dias de sol.»
Moral da História: “Os artistas são as cigarras da humanidade.”
Monteiro Lobato, em “Fábulas”. São Paulo: Brasiliense, 1995.









