“All Quiet on the Western Front”
- 21 de jun. de 2025
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«Percebemos — primeiro com espanto, depois com amargura e, finalmente, com indiferença — que o intelecto não era, aparentemente, o mais importante... não as ideias, mas o sistema; não a liberdade, mas o treino. Tínhamo-nos unido com entusiasmo e boa vontade; mas fizeram tudo para nos arrancar isso.»
"Este livro não pretende ser uma acusação nem uma confissão, e muito menos uma aventura, pois a morte não é uma aventura para quem a enfrenta. Tentará simplesmente contar a história de uma geração de homens que, embora possam ter escapado às suas bombas, foram destruídos pela guerra."
Erich Maria Remarque, no prefácio de “All Quiet on the Western Front”
O tema do livro é o conflito mundial de 1914-1918, então denominado de Grande Guerra. A Primeira Guerra Mundial, como lhe chamamos hoje, foi um conflito chocantemente intenso que não apenas transformou o panorama político da Europa, mas também mudou para sempre os valores e as percepções da sociedade ocidental.
Nos anos que antecederam o início da guerra, os principais países da Europa formaram alianças que dividiram o continente em dois campos hostis. De um lado estavam as Potências Centrais, que incluíam a Alemanha, a Bulgária e a Áustria-Hungria; do outro, os Aliados, que incluíam a França, a Grã-Bretanha e a Rússia, entre outros. O "barril de pólvora da Europa" explodiu quando o assassinato do Arquiduque Fernando da Áustria desencadeou uma série de ameaças e contra-ameaças que levaram as duas alianças para a guerra. A Alemanha, a principal potência militar e industrial da Europa, rapidamente iniciou uma guerra de expansão. O plano alemão, no qual os seus dirigentes trabalharam durante décadas, previa a luta em duas frentes. Em primeiro lugar, os alemães planeavam lançar uma ofensiva maciça contra a França no oeste. Acreditavam que a sua ofensiva estaria concluída em seis semanas, dando-lhes tempo para se virarem para leste e invadirem a Rússia numa segunda frente.
As forças alemãs rapidamente invadiram a Bélgica, mas foram detidas nos arredores de Paris. A partir desse ponto, o plano da Alemanha para uma vitória rápida no oeste se desfez. Armas de guerra recem desenvolvidas, especialmente canhões e metralhadoras modernos com tremendo poder de fogo, tornaram o campo de batalha tão violento que os ataques tradicionais e organizados rapidamente se dispersaram. Para se abrigarem, os soldados não tinham outra escolha senão enterrar-se no chão. Como resultado, em 1915, foi desenvolvida uma estratégia chamada guerra de posição. Ambos os lados cavaram uma série de trincheiras que se estendiam desde a costa belga até à fronteira com a Suíça. A partir destas trincheiras, os exércitos travaram uma guerra estacionária de defesa, em vez de uma guerra de movimento e ataque. O seu objectivo era manter o seu território a qualquer custo. A guerra tornou-se, portanto, um impasse, pois cada um dos lados tentava esgotar o outro. Os líderes militares, treinados nas tácticas do século XIX, continuaram a encenar inúmeras pequenas ofensivas frontais, ordenando aos soldados de infantaria que "passassem por cima" das trincheiras. Mas os resultados foram fatais e o sucesso raro, com os ganhos medidos apenas em jardas. A guerra de trincheiras era incrivelmente custosa em termos de vidas humanas.
A guerra teve consequências políticas e sociais de grande alcance. Separou os quatro grandes impérios da Europa — o Alemão, o Austro-Húngaro, o Russo e o Turco — deixando a Europa instável. A guerra também causou mais mortes e baixas do que qualquer outra guerra nos cem anos anteriores. Cerca de 8.5 milhões de pessoas morreram e 21 milhões ficaram feridas. Em 1916, poucas famílias na Europa não foram afectadas pela morte de um filho, marido, pai, primo ou amigo.
A guerra teve também um profundo efeito psicológico sobre os que sobreviveram, como Remarque, e sobre aqueles que atingiram a maioridade no seu rasto. Por vezes chamados de "geração perdida", muitos destes os jovens desenvolveram uma visão pessimista e incerta da vida e da sociedade após a guerra. Os valores sociais tradicionais que levaram à guerra — honra, dever, glória e disciplina — pareciam vazios, e muitos sobreviventes culparam a geração mais velha por permitir a destruição horrível e perdulária da guerra. Sentiam que a velha ordem era moralmente corrupta e que não tinha surgido nenhuma nova ordem para proporcionar uma sensação de esperança e estabilidade. O romance de Remarque, publicado em 1929, cerca de dez anos após o fim da guerra, falava para e sobre esta geração. Como observou um crítico, “parece encapsular, de forma popular, todo o impulso moderno: a fusão de oração e desespero, sonho e caos, desejo e desolação”.
O romance dirige-se também aos leitores que se interrogam como era a guerra para o soldado comum. Narrado por um jovem soldado de infantaria alemão, oferece um retrato da guerra que, nas palavras de um crítico, é “insuperável em termos de vivacidade, realidade e convicção, que vive, espalha-se e cresce até que cada átomo de nós esteja na Frente, a ver, a misturar-se, a sofrer”. Escrito num estilo claro e vivo, o relato ficcionado de Remarque tem uma autenticidade de testemunha ocular que ainda hoje envolve e comove os leitores.
Nascido a 22 de Junho de 1898, Erich Maria Remarque tornou-se num dos mais importantes escritores do séc. XX. Banido pelos nazis por ser alegadamente descendente de judeus franceses, viu os seus livros serem atirados para a fogueira e foi exilado em 1933 sob acusação de fazer propaganda contra o nacionalismo alemão. Remarque viu, ainda assim, o seu trabalho reconhecido ao mais alto nível da literatura e chegou mesmo a ser um dos grandes candidatos ao Nobel na sua época. A sua obra foi eternizada pelos seus leitores em todo o mundo. Dono de uma escrita magistral e de um profundo conhecimento da alma humana, Remarque ficará para sempre na história da literatura.










