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"Invernáculo"

  • 23 de ago. de 2025
  • 1 min de leitura
Toda Poesia

Esta língua não é minha,

qualquer um percebe.

Quem sabe maldigo mentiras,

vai ver que só minto verdades.

Assim me falo, eu, mínima,

quem sabe, eu sinto, mal sabe.

Esta não é minha língua.


A língua que eu falo trava

uma canção longínqua,

a voz, além, nem palavra.

O dialeto que se usa

à margem esquerda da frase,

eis a fala que me lusa,

eu, meio, eu dentro, eu, quase.

Nascido a 24 de Agosto de 1944, Paulo Leminski morreu cedo, aos 44 anos, mas deixou uma obra que influencia até hoje poetas e escritores brasileiros contemporâneos.

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