“Love and fantasy go hand in hand“
- 5 de jul. de 2025
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É o seu aniversário e, num momento de emoção e paixão, o marido decide que as flores que lhe oferecera não chegam. Então, "salta" literalmente para a beijar, apanhando-a de surpresa e levando-a consigo.
"O Aniversário", é uma composição de Marc Chagall de 1915 que apresenta um interior simples, típico do gosto provinciano russo da viragem do século XX. As duas figuras, um homem e uma mulher, parecem livres da necessidade de se conformarem com as leis comuns da física. Simplesmente flutuam, livres da gravidade. A mulher da pintura é nada mais nada menos que a amada primeira mulher de Chagall, Bella Rosenfeld, que o artista conheceu em São Petersburgo em 1908.
Bella, com um simples vestido preto, é mostrada inclinada para a frente, em direção à janela, como se estivesse a correr, segurando um festivo ramo de flores. Chagall flutua amorosamente acima dela, beijando-a com a cabeça inclinada e torcida, o tronco virado para longe dela. Este é um cenário intimista, destinado à pessoa amada, e é assim que o espectador tem a sensação de estar no mesmo ambiente que o casal e quase a intrometer-se num momento íntimo. Tal como muitas outras homenagens amorosas de Marc Chagall à sua esposa, esta pintura está repleta de intimidade, carinho, amor e calor.
Na sua autobiografia "My Life", Chagall descreveu o seu primeiro encontro com Bella: "O seu silêncio é meu, os seus olhos são meus. É como se ela soubesse tudo sobre a minha infância, o meu presente, o meu futuro, como se pudesse ver através de mim."
A paleta de cores é interessante por motivos diferentes. As cores primárias desta pintura são o vermelho, o preto, o branco e o verde – as cores principais utilizadas pelo suprematismo (movimento artístico russo fundado por Kazimir Malevich no início do século XX) e abstracionistas de VHUTEMAS. Era a paleta preferida do novo século, a nova linguagem do modernismo russo.
A carreira dinâmica de Chagall, nascido a 6 de Julho, incluiu cenários teatrais, vitrais, as duas magníficas pinturas na Metropolitan Opera de Nova Iorque, ilustrações de contos de fadas, interpretações bíblicas e muito mais. "As suas imagens da sua longa e plena vida (1887-1985) retratam a transição do mundo do antigo para o moderno como o mais belo poema épico."









