top of page

"Oração de sapiência"

  • 4 de jul. de 2025
  • 1 min de leitura

Nascido a 5 de Julho de 1955, o prémio Camões Mia Couto foi convidado para uma "Oração de sapiência", na abertura do ano lectivo do ISCTEM, em 2005. Nesta conferência, o escritor moçambicano falou sobre um tema que escolheu "propositadamente" para o dia - a pobreza.

 

«Se não mudarmos de atitude não conquistaremos uma condição melhor. Poderemos ter mais técnicos, mais hospitais, mais escolas, mas não seremos construtores de futuro. Falo de uma nova atitude, mas a palavra deve ser pronunciada no plural, pois ela compõe um conjunto vasto de posturas, crenças, conceitos e preconceitos. Há muito que venho defendendo que o maior factor de atraso em Moçambique não se localiza na economia, mas na incapacidade de gerarmos um pensamento produtivo, ousado e inovador. Um pensamento que não resulte da repetição de lugares comuns, de fórmulas e de receitas já pensadas pelos outros. Às vezes me pergunto: de onde vem a dificuldade em nos pensar-mos como sujeitos da História? Vem sobretudo de termos legado sempre aos outros o desenho da nossa própria identidade. Primeiro, os africanos foram negados. O seu território era a ausência, o seu tempo estava fora da História. Depois, os africanos foram estudados como um caso clínico. Agora, são ajudados a sobreviver no quintal da História.» in

bottom of page