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Pessoa por Pomar

  • 10 de jan.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 5 de fev.


«A partir de uma fotografia icónica do jovem Fernando Pessoa, Júlio Pomar concebe os três retratos nas posições clássicas da pintura, frontal, de perfil e a três quartos, sendo esta última posição a da fotografia original. A pintura é feita por acumulação, quer de elementos pintados quer de pedaços de tela cortados, colados e repintados por cima em alguns pontos. Várias partes do rosto de Pessoa são vincadas com traços ou manchas “a mais”, de cores vibrantes: verdes, amarelos, vermelhos. As lentes dos óculos são pintadas em cores diferentes, mais do que uma vez e propositadamente deslocadas da moldura das hastes, ao ponto de não coincidirem com o lugar dos olhos, como se a imagem se multiplicasse num arrastamento que lembra experiências pioneiras da fotografia no estudo do movimento.


Estas deslocações e o retrato triplo remetem para a heteronímia que caracterizou a poesia de Pessoa, assinada com vários nomes desdobrados a partir de si mesmo – porém bem mais que três. Ao centro, um triângulo branco intensifica a percepção de que a tríade implica uma leitura mística mais ou menos irónica, quer referente à santíssima trindade católica, quer a uma simbologia mais vasta, alquímica ou maçónica. O corvo surge, pouco visível, por trás do rosto visto de frente, mancha negra confundida com o casaco do poeta, de bico enunciado por duas pinceladas rápidas de cor clara....»


Excerto da ficha de leitura de obra, da autoria de Mariana Pinto dos Santos (Investigadora de História da Arte), que integrou o Catálogo da exposição "Sem Capricho ou Presunção & Novas Doações".


Nascido a 10 de Janeiro, Júlio Pomar foi um homem de causas, cidadão e resistente, cujo empenhamento cívico e político pautou não apenas a sua obra, mas também a sua vida. Sendo um dos pintores mais conceituados do século XX português, Pomar foi um artista multifacetado.

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