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Polifacetado

  • 3 de jan. de 2024
  • 1 min de leitura
Testamento de VGM

rondó da escrita


No que escrevi me traduzi

e traduzi outros também

e traduzindo me escrevi

e a escrever-me fui eu quem



das várias coisas que senti

fez sofrimento de ninguém,

depois risquei, depois reli

e publiquei: assim porém


havia sempre mais alguém

para o chamar então a si.

também vivendo o que menti,

mas como seu, mas como sem


ter sido meu o que escrevi

fosse por mal, fosse por bem,

é a sua vez, e que mal tem?

no que escrevi sobrevivi.


in "Testamento"


Neste poema autobiográfico (e de balanço de vida) escrito por altura do seu sexagésimo aniversário à maneira de um testamento, Vasco Graça Moura vai buscar inspiração à matriz de François Villon, poeta maldito da Idade Média francesa, mais concretamente ao seu poema «Le testament». Estas baladas cantam os amores, trabalhos, filhos, amigos, inimigos, a cidade natal, o ofício literário, a paixão pela pintura e a sua natureza mais íntima.

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