Pós-impressionista
- 6 de jun. de 2025
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Nascido a 7 de Junho de 1848, Paul Gauguin foi um artista pós-impressionista, cuja obra influenciou profundamente a vanguarda francesa e artistas modernos, como Pablo Picasso e Henri Matisse. Como descendente da nobreza peruana, passou a infância em Lima, no Peru. Esta educação nómada despertou a sua curiosidade por terras e culturas exóticas, que o levariam ao Taiti e à Martinica.
A monumental pintura "De onde viemos? O que somos? Para onde vamos?" (1897-98) foi criada no Taiti durante um período de grande crise pessoal do artista. Lutando para obter reconhecimento e sucesso em Paris, Gauguin decidiu mudar-se definitivamente para o Taiti em 1895. Aí, continuou a lutar: atormentado por doenças e dívidas crescentes, a sua saúde mental deteriorou-se rapidamente. Na mesma altura, soube que a sua amada filha Aline morrera de pneumonia. Nesse momento difícil, reuniu forças para pintar "De onde viemos? O que somos? Para onde vamos?", uma obra-prima que era um resumo das suas ideias artísticas. Escreveu: "Dediquei toda a minha energia a isto mais uma vez antes de morrer, uma paixão tão dolorosa em circunstâncias tão terríveis, uma visão tão clara e precisa, que não há qualquer traço de precocidade e a vida floresce dela".
A pintura, que deve ser vista da direita para a esquerda, representa o espectro da actividade humana ao longo da vida, desde o nascimento até à morte. O fio condutor da composição corresponde às questões colocadas no título da pintura: De onde viemos? O que somos? Para onde vamos? Os limites da cena são marcados pelo recém-nascido deitado na relva à direita e pela velha abatida, que reflete sombriamente sobre o passado. Entre os dois, Gauguin cria uma visão onírica que descreve o quotidiano da vida adulta. Em segundo plano, incluiu um casal a caminhar e um exótico ídolo azul, que, segundo Gauguin, simbolizava "o Além". O grande ecrã apresenta alguns dos temas favoritos de Gauguin, como o nu reclinado, o grupo de figuras perdidas em pensamentos e a estátua de culto.
A pintura expressava a mitologia altamente pessoal de Gauguin, desenvolvida através da combinação e adaptação de símbolos de diversas fontes ocidentais e não ocidentais. Em particular, a cena reflete a influência do Taiti, da sua paisagem tropical e da cultura polinésia nativa. Gauguin queria que a pintura evocasse significados associativos, em vez de explicar explicitamente o significado do seu simbolismo. O seu simbolismo expressava o mundo interior de visões e emoções, propositadamente enigmático e ambíguo. Gauguin queria interpretar a vida como um grande mistério e, na pintura, enfatizava a falta de compreensão do mundo.
Após concluir a pintura, Gauguin enviou-a a Paris para o colecionador de arte George-Daniel de Monfreid. Pouco depois, o artista retirou-se para as montanhas, onde pretendia envenenar-se com arsénico. A tentativa de suicídio de Gauguin falhou e recuperou gradualmente no hospital. Entretanto, Monfried conseguiu vender o quadro por mil francos, o que ajudou a melhorar o humor de Gauguin. Hoje, a pintura faz parte da coleção do Museu de Belas Artes de Boston.









