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Resistente

  • 19 de mai. de 2025
  • 1 min de leitura

Nascida a 20 de Maio de 1937, Maria Teresa Horta deixou-nos uma obra marcada pela coragem de resistir, com a publicação de poemas e de um livro símbolo de resistência e de luta pela igualdade das mulheres. Com Maria Velho da Costa e Maria Isabel Barreno (as Três Marias), foi uma das autoras de “As Novas Cartas Portuguesas”, marco inquestionável na história da literatura portuguesa e ainda hoje estudado internacionalmente.


O livro, publicado em 1972, foi banido e censurado pela ditadura do Estado Novo por conter “conteúdo insanavelmente pornográfico e atentatório da moral pública”, fez manchetes sobre a situação da mulher em Portugal e inspirou protestos em todo o mundo. As Três Marias, como ficariam para sempre conhecidas, foram levadas a tribunal, num julgamento que só viria a terminar com o 25 de Abril de 1974.


Maria Teresa Horta foi incluída numa lista de 100 mulheres mais influentes e inspiradoras de todo o mundo, elaborada no ano passado pela estação pública britânica BBC, que inclui artistas, activistas, advogadas ou cientistas.


Resistência


Ninguém me castra a poesia

se debruça e me põe vendas

censura aquilo que escrevo

nem me assombra os poemas


Ninguém me apaga os versos

nem amordaça as palavras

na invenção de voar

por entre o sonho e as letras


Ninguém me cala na sombra

deitando fogo aos meus livros

me ameaça no medo

ou me destrói e algema


Ninguém me aquieta a escrita

na criação de si mesma

nem assassina a musa

que dentro de mim se inventa


in "Poesis"

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