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“Salvo el crepúsculo”

  • 12 de fev. de 2024
  • 1 min de leitura
Salvo el crepúsculo

O último livro de Julio Cortázar (26 Agosto 1914 - 12 Fevereiro 1984) publicado em vida, Salvo el crepúsculo” desdobra-se como uma colagem inesgotável, oferecendo os temas recorrentes da obra do autor, ainda que com abordagens inovadoras: presta homenagem a poetas de estéticas e nacionalidades diversas, revisita os fascinantes Polanco e Calac de 62/Modelo para armar (62/Um Kit de Modelo), e entrega-se ao tango e ao jazz, à pintura e ao amor, a Paris e Buenos Aires.


Uma coleção primorosa de gostos, memórias e opiniões de um artista extraordinário. Cortázar não viveu para rever as provas de impressão de “Salvo el crepúsculo”, publicado pela primeira vez em 1984, poucos meses após a sua morte, mas o livro contém as correções manuscritas que o autor acrescentou à última hora.


Numa obra tão vasta quanto excepcional, “Salvo el crepúsculo” é uma interessante porta de entrada para o trabalho de um escritor que, como disse Mario Vargas Llosa, "conferiu dignidade literária ao jogo e fez dele um instrumento de criação e exploração artística tão flexível quanto frutífero. A obra de Cortázar abriu portas sem precedentes."


"Doble invención”


Cuando la rosa que nos mueve

cifre los términos del viaje,

cuando en el tiempo del paisaje

se borre la palabra nieve,


habrá un amor que al fin nos lleve

hasta la barca de pasaje,

y en esta mano sin mensaje

despertará tu signo leve.


Creo que soy porque te invento,

alquimia de águila en el viento

desde la arena y las penumbras,


y tú en esa vigilia alientas

la sombra con la que me alumbras

y el murmurar con que me inventas.

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