Testemunho da história
- 17 de abr. de 2025
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No Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, que oferece a oportunidade de aumentar a consciência pública relativamente à diversidade do património e aos esforços necessários para o proteger e conservar, permitindo, ainda, chamar a atenção para a sua vulnerabilidade, referência a uma torre singular que se destaca pela sua tipologia militar de transição entre os modelos medievais e os renascentistas, único nesta região do alto-alentejo, bem como pela memória regional que a associa a um dos maiores poetas portugueses.
A Torre de Camões, ou Torre do Álamo, cuja localização rural e abandono da estrutura enquanto habitação permanente levaram à progressiva destruição da mesma, sendo hoje pouco mais que uma ruína, terá sido edificada entre os finais do século XV e o início do XVI, atendendo ao seu modelo que, embora apresente uma forte raiz medieval, denota já influências renascentistas.
Este torreão serviria primitivamente como torre de atalaia militar, implantando-se num ponto alto estratégico da região entre Avis e Estremoz, de onde é possível avistar a Torre de Menagem do Castelo de Estremoz e ainda o Castelo de Evoramonte, dois importantes centros militares entre a Idade Média e os finais da época moderna. Já nos séculos XVI e XVII a torre terá sido, também, utilizada como residência senhorial.
A designação de Torre de Camões resulta da ligação existente entre a família Peres, proprietária do imóvel, e o apelido Camões, já que um dos ascendentes de Luís Vaz de Camões seria Vasco Peres de Camões, galego radicado em Portugal no final do século XIV que era proprietário de uma herdade em Sousel. No entanto, esta ligação genealógica não é, por si só, suficiente para justificar a crença local de que a torre terá pertencido ao poeta, e que nela terá sido escrita parte d' Os Lusíadas.










