Momento
- 2 de jan.
- 1 min de leitura
O pó do tempo é sufocante. E, no entanto, pensar sem ele é pior que pensar com ele. O caminho do passado não pode ser trilhado. A sedução dos conceitos fixos é para ser evitada. Desinstalei a lógica confortável destilada por mentes perversas em prol da minha ingenuidade. O que me atinge é o instante no qual me desencontro de certezas prévias. O momento de origem, arbitrário como ponto de partida do que se segue.
Um impulso que não é nem a possível livre decisão a respeito de qualquer coisa, nem a constatação dos limites de qualquer liberdade possível. É manter o horizonte indefinido à vista. O ponto de partida constitui-se no momento preciso em que uma determinada possibilidade, que deveria ser livre, hesita em aprofundar-se. Mostra-se interdita. Incompleta.
O tumulto do tempo, simplesmente por existir em todas as suas dimensões, significa em si mesmo não um caminho percorrido, algum tipo de conciliação, mas uma condição. Um momento. Um intervalo entre qualquer ideia e a sua realidade. Um intervalo entre o pensado e o que interdita, entre o essencial e o aparente, entre o sonho e a realidade, entre o atrito e o conceito. No choque, modesto ou exaltado, mas sempre existente, todas as dimensões se cruzam.











