Diferenças na riqueza dos países
- 13 de out. de 2024
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Os recém laureados com o Nobel da Economia, Daron Acemoglu, Simon Johnson e James Robinson acrescentaram uma nova dimensão às explicações anteriores para as actuais diferenças na riqueza dos países em todo o mundo.
Acemoglu, Johnson e Robinson descobriram uma clara cadeia de causalidade. As instituições que foram criadas para explorar as massas são más para o crescimento a longo prazo, enquanto as que estabelecem as liberdades económicas fundamentais e o Estado de direito são boas para ele. As instituições políticas e económicas tendem também a ter uma vida muito longa. Mesmo que os sistemas económicos extractivos proporcionem ganhos a curto prazo para uma elite dominante, a introdução de instituições mais inclusivas, menos extracção e o Estado de direito criariam benefícios a longo prazo para todos. Então porque é que a elite não substitui simplesmente o sistema económico existente?
A explicação dos laureados centra-se nos conflitos pelo poder político e no problema da credibilidade entre a elite dominante e a população. Enquanto o sistema político beneficiar as elites, a população não pode confiar que as promessas de um sistema económico reformado serão cumpridas. Um novo sistema político, que permita à população substituir os líderes que não cumpram as suas promessas em eleições livres, permitiria a reforma do sistema económico. Contudo, as elites dominantes não acreditam que a população as compensará pela perda de benefícios económicos quando o novo sistema estiver em vigor. Isto é conhecido como problema de comprometimento; é difícil de ultrapassar e significa que as sociedades estão presas a instituições extractivas, à pobreza em massa e a uma elite rica.
No entanto, os laureados demonstraram também que a incapacidade de fazer promessas credíveis pode também explicar por que razão as transições para a democracia por vezes acontecem. Mesmo que a população de uma nação não democrática não tenha poder político formal, possui uma arma que é temida pela elite dominante – são muitas. As massas podem mobilizar-se e tornar-se uma ameaça revolucionária. Embora esta ameaça possa incluir violência, o facto é que a ameaça revolucionária pode ser maior se esta mobilização for pacífica, porque permite que o maior número de pessoas se junte aos protestos.
A elite enfrenta um dilema quando esta ameaça é mais aguda; prefeririam manter-se no poder e tentar simplesmente aplacar as massas prometendo reformas económicas. Mas tal promessa não é credível porque as massas sabem que a elite, se se mantiver no poder, pode regressar rapidamente ao antigo sistema assim que a situação acalmar. Neste caso, a única opção para a elite poderá ser entregar o poder e introduzir a democracia.
O modelo dos laureados para explicar as circunstâncias em que as instituições políticas são formadas e alteradas tem três componentes. O primeiro é um conflito sobre a forma como os recursos são atribuídos e quem detém o poder de decisão numa sociedade (a elite ou as massas). A segunda é que as massas têm, por vezes, a oportunidade de exercer o poder mobilizando e ameaçando a elite dominante; o poder numa sociedade é, portanto, mais do que o poder de tomar decisões. O terceiro é o problema do compromisso, o que significa que a única alternativa é a elite entregar o poder de decisão à população.
O modelo tem também sido utilizado para explicar porque é que alguns países alternam entre democracia e não democracia. Pode também ser utilizado para mostrar porque é tão difícil para os países que não têm instituições inclusivas alcançar um crescimento igual ao daqueles que as têm, e porque é que as elites dominantes podem por vezes beneficiar do bloqueio das novas tecnologias.











