Direito de escolha
- 10 de jul. de 2025
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O declínio global das taxas de fertilidade é muitas vezes noticiado com as mulheres e os jovens a serem frequentemente responsabilizados por estas mudanças demográficas. Mas a verdadeira crise de fertilidade é a falta de autonomia reprodutiva: muitas pessoas simplesmente não conseguem criar as famílias que desejam devido às barreiras sociais, económicas e de saúde.
Os jovens estão a assumir grande parte da culpa pelo declínio das taxas de natalidade, graças a suposições erradas de que estão a escolher livremente carreiras ou outros caminhos em detrimento dos relacionamentos e da parentalidade. No entanto, no último relatório sobre o Estado da População Mundial, muitos jovens afirmaram que desejam ter um parceiro e ser pais, mas são desencorajados por vários factores, incluindo a ansiedade em relação ao futuro, o stress financeiro, as preocupações com a saúde, os conflitos globais e os receios das alterações climáticas.
Com isto em mente, o tema do Dia Mundial da População deste ano é “Capacitar os jovens para criarem as famílias que desejam num mundo justo e cheio de esperança”.
Muitos jovens referem a incerteza económica como um dos principais motivos para não terem filhos. Além disso, a reacção negativa online contra os direitos das mulheres está a contribuir para uma crescente divisão nas atitudes dos jovens. Todos estes factores contribuem para a redução das taxas de nupcialidade e para o declínio da fecundidade. Os jovens de origens socioeconómicas mais baixas, os de origem migrante e os pertencentes a minorias sexuais são ainda mais prejudicados na concretização das suas aspirações.
Os jovens precisam de ser capacitados à medida que se tornam adultos. Uma educação sexual abrangente pode desempenhar um papel importante, preparando as pessoas para compreender a sua fertilidade e fazer escolhas informadas ao longo da vida. Além disso, os jovens devem ser capazes de alcançar a independência económica através de empregos seguros e salários adequados, alinhados com o custo de vida e de habitação. As políticas favoráveis à família – creches acessíveis, licença parental generosa – podem ajudar as pessoas a equilibrar os seus objetivos profissionais e familiares.
Em última análise, precisamos de construir um mundo mais equitativo, sustentável e pacífico, onde todos acreditem que eles e os seus filhos podem prosperar.
Para tal, a recolha de dados globais sobre reprodução e as aspirações de fertilidade deve estar enraizada nas necessidades e desejos dos jovens. Os decisores políticos devem ouvir e interagir com os jovens. As políticas devem envolver representantes de todas as comunidades – jovens, reformados, minorias étnicas, pessoas LGBTQIA+ – para garantir que todos beneficiam.











