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O ódio começa com palavras. A paz começa com educação

  • 16 de nov. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: 2 de jan.

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Num momento em que o mundo assiste a uma onda de conflitos violentos, paralelamente a um aumento alarmante da discriminação, do racismo, da xenofobia e do discurso de ódio, muitas vezes alimentado tanto por líderes governamentais, como por líderes políticos e partidários, com um impacto que transcende qualquer fronteira baseada na geografia, género, etnicidade, religião, política, offline e online, a educação deveria desempenhar um papel crucial no combate a esta violência. A educação é um direito humano, um bem público e uma responsabilidade pública.


Precisamos aprender a viver juntos, desenvolver a compreensão do outro e valorizar a diversidade. A compreensão de si mesmo passa pela compreensão do outro. Os conflitos entre os seres humanos, decorrentes de convicções sobre o que elas entendem como bom e verdadeiro constituem, provavelmente, um componente imprescindível da história. Os valores, enquanto crenças básicas que orientam a própria vida, não se herdam, aprendem-se. A educação para a tolerância constitui uma exigência da realidade social.


A tolerância supõe compreender que a diversidade, o multiculturalismo e o pluralismo, cuja expressão é a existência de diferentes opiniões políticas, crenças diversas ou sensibilidades morais distintas, longe de ser um fenómeno negativo e que impede a convivência pacífica, deriva da própria condição humana. Não é lícito nem ético fazer a distinção entre a valorização da pessoa humana que, sem dúvida, deve ser sempre respeitada, e as suas crenças ou convicções pessoais, mesmo que as consideremos erradas ou incorrectas. Em nome da defesa da “verdade” violentou-se, durante muito tempo, a liberdade das pessoas e aniquilaram-se milhões de seres humanos.


É justamente pelas suas convicções pessoais, mesmo quando as consideremos erradas ou incorrectas, que o “homem” é pessoa. Podem-se criticar as ideias, mas não afogar o pensamento, nem aniquilar o dissidente. A tolerância exige dar à própria vida um universalismo moral, pelo que se relativiza a própria forma de vida atendendo às pretensões legítimas das outras formas de vida; que se reconheçam direitos iguais aos outros, aos estranhos, com todas as suas idiossincrasias e tudo aquilo que neles resulta difícil de entender.


As ideias, enquanto apenas ideias são, em qualquer caso, toleráveis. Mas deixam de o ser quando se pretendem impor, mediante a violência e a força, a quem não as compartilhe. Não só a agressão à liberdade é intolerável, mas também tudo aquilo que viola direitos humanos básicos, de tal modo que não deveríamos tolerar que exista fome no mundo, que morram milhões de crianças devido a doenças evitáveis e conflitos, que só se possam derimir conflitos através das guerras. O objecto da tolerância é a diferença inofensiva, não a que ofende a dignidade humana.

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