Portugal é o 4.º país mais desigual da União Europeia
- 16 de out. de 2024
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«A pobreza está a crescer, sobretudo entre as crianças e jovens, os desempregados e as famílias monoparentais. As desigualdades também se agravaram, fazendo de Portugal o 4.º país mais desigual da União Europeia.
A Pordata, a base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, divulga um conjunto de dados que retratam o atual panorama e a evolução da pobreza da população em Portugal, um dos desafios mais urgentes que o país enfrenta.
A taxa de risco de pobreza teve uma ligeira subida, pela primeira vez em sete anos, de 0,6 p.p, passando de 16,4% para 17%, em 2022; que foi no grupo de crianças e jovens que a taxa de risco de pobreza mais se agravou, bem como nas famílias com crianças dependentes; que os pobres estão mais pobres, com o maior aumento da taxa de intensidade de pobreza da última década; que um em cada dez trabalhadores é pobre; ou que, no contexto europeu, o conforto térmico das casas é a dificuldade económica que faz Portugal destacar-se pela negativa, reportando a mais elevada proporção de pessoas a viver em agregados sem capacidade para manter a casa adequadamente aquecida.
A taxa de risco de pobreza após transferências sociais, que tinha vindo a descer após a crise financeira [com exceção de 2020, ano de pandemia], teve uma ligeira subida - pela primeira vez em sete anos, de 0,6 p.p, passando de 16,4% para 17%, em 2022.
Foi entre no grupo de crianças e jovens (menos de 18 anos) que a taxa de risco de pobreza mais aumentou (+ 2,2 p.p em relação ao ano anterior, situando-se nos 20,7% em 2022). É também este o grupo que evidencia maior vulnerabilidade, já que apresenta taxas de risco de pobreza superiores ao conjunto nacional (17%) e aos outros grupos etários (17,2%, entre as pessoas com 65 ou mais anos, e 16% entre os 18 e os 64 anos).
Mas, para além das faixas etárias, a pobreza não atinge os diferentes tipos de famílias por igual. São as famílias monoparentais com crianças e as pessoas que vivem sozinhas que apresentam maiores fragilidades – quase uma em cada três famílias monoparentais (31,2%) vive com menos de 591€ por mês, já incluindo as transferências sociais recebidas. Foi também nesta composição de famílias que se registou o maior aumento de um ano para o outro (de 3,2 p.p.). Em praticamente todos os diferentes agregados domésticos com crianças dependentes se registou um agravamento na taxa de pobreza de um ano para o outro.
A população desempregada é um grupo social especialmente vulnerável à pobreza. A incidência da pobreza neste grupo, que tinha diminuído entre 2020 e 2021, voltou a registar uma subida de 3,3 p.p. face a 2021, aliás uma das subidas mais elevadas da última década (com exceção do ano de pandemia) sendo a mais elevada entre a população portuguesa (46,7%), permanecendo assim o desemprego, como um dos principais fatores de pobreza.
Mas ter emprego não significa evitar a pobreza. A proporção da população empregada que vive em situação de pobreza diminuiu de 10,3% para 10%, e tem-se mantido próxima destes valores na última década. Haver um em cada dez indivíduos que apesar de ter emprego é pobre, deve ser encarado, a par dos valores de outros indicadores, como um factor de preocupação.»











