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A “liberdade” de Berlin

  • 23 de jan.
  • 2 min de leitura
Esperança e Medo

Em Portugal o Dia da Liberdade comemora-se a 25 de Abril, mas a data internacional para celebrar a liberdade assinala-se a 23 de Janeiro. A data foi criada pela ONU e proclamada pela UNESCO. O ideal dos seres humanos é o de serem livres. É um direito de todos nós para realizarmos as nossas próprias escolhas, para traçarmos o nosso futuro e determinarmos as nossas opções de vida. A nossa liberdade é o primeiro alvo dos manipuladores. As técnicas de manipulação concentram-se em todos os procedimentos que limitam essa liberdade, dando-nos a ilusão de possuí-la.


Em 1958 era publicado o ensaio “Dois conceitos de liberdade”, de Isaiah Berlin, sobre os dois conceitos de liberdade (negativa e positiva) desenvolvidos pelos autores considerados liberais, e originado da palestra proferida por ele na Higham Chichele Society, do qual partilho um pequeno excerto.


«Liberdade (…) não é, em todo o caso, logicamente, conectada com democracia ou autogoverno. Autogovernos podem, em conjunto, proporcionar uma melhor garantia de liberdades civis que outros regimes, e têm sido defendidos desse modo por libertários. Mas não há, necessariamente, conexão entre liberdade individual e a regra democrática. A resposta à pergunta: "Quem me governa?" é logicamente diferente da questão: "Quão longe o governo interfere comigo?" É nessa diferença que o grande contraste entre os dois conceitos de liberdade negativa e positiva, no final, consiste. Já que o sentido de liberdade ‘positiva’ vem à luz se tentarmos responder à pergunta, não à "que sou livre para fazer ou ser?" mas "Por quem sou governado?" ou "Quem pode dizer o que posso ser ou fazer?" A conexão entre democracia e liberdade individual é muito mais ténue do que pareceu aos defensores de ambos. O desejo de ser governado por mim mesmo, ou de qualquer forma, de participar no processo pelo qual a minha vida é controlada, pode ser um desejo tão profundo quanto aquele pela área de ação, e talvez, historicamente mais velho. Mas não é um desejo pela mesma coisa. Tão diferente que são, na verdade, que podem ter levado ao grande choque de ideologias que domina o nosso mundo. Pois, a concepção ‘positiva’ de liberdade, não é liberdade de, mas liberdade para – para liderar uma forma prescrita de vida – o que os adeptos da ‘negativa’ representam como sendo, às vezes, nada melhor que um disfarce capcioso de tirania brutal.»

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