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A “liberdade” de Sartre

  • 20 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

«Desejamos a liberdade pela liberdade, em e através de circunstâncias particulares. E, ao desejarmos a liberdade, descobrimos que ela depende inteiramente da liberdade dos outros e que a liberdade dos outros depende da nossa. Obviamente, a liberdade como definição de um homem não depende dos outros, mas, assim que há um compromisso, sou obrigado a desejar a liberdade dos outros ao mesmo tempo que a minha. Não posso fazer da liberdade o meu objectivo a não ser que faça da liberdade dos outros igualmente o meu objectivo.»


Jean-Paul Sartre (21 de Junho de 1905 - 15 de Abril de 1980) in “O Existencialismo é um Humanismo” (Conferência proferida em Paris a 29 de Outubro de 1945)

 

O existencialismo sartreano apresenta-nos uma radicalização do humanismo em oposição às concepções tradicionais do homem. A compreensão da condição humana impõe-nos a necessidade de pensar as noções de liberdade, responsabilidade, acção e, consequentemente, uma moral existencialista. Sartre afirma que a liberdade é a própria essência do ser humano e que, ao escolhermos, estamos a escolher a nós mesmos e, consequentemente, a humanidade. Essa liberdade, porém, não é absoluta no sentido de que podemos escolher qualquer coisa, mas sim de que somos sempre responsáveis pelas nossas escolhas, inclusive na relação com os outros. A liberdade dos outros é condição para a nossa e vice-versa, pois estamos inseridos num mundo onde as nossas escolhas afectam o outro e vice-versa. Argumenta que não podemos escolher a liberdade como um fim em si mesmo, dissociada das circunstâncias concretas da nossa existência. Ao escolhermos, escolhemos um projecto de vida, e esse projecto envolve a nossa relação com os outros e com o mundo. Portanto, a liberdade não é uma abstracção, mas uma prática que se realiza em situações específicas, e que exige responsabilidade e compromisso.

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