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Confortavelmente desconfortável

  • 22 de ago. de 2025
  • 1 min de leitura
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“Tudo acontece por uma razão”, “é para ser”, “é o que é”. Estes clichés expressam uma forma cada vez mais popular de fatalismo estóico. A ideia subjacente é que a “Realidade” é apenas de uma certa maneira, determinada por Deus ou pela física.


Este realismo superficialmente rígido conforta-nos, absolvendo-nos de responsabilidade: tudo o que acontece está condenado a acontecer. Mas isso torna-o perigoso, defende Tracy Llanera, Filósofa e Professora Assistente de Filosofia na Universidade de Connecticut. e autora de “Richard Rorty: Outgrowing Modern Nihilism” (2020).


Isto leva à inação resignada face aos conflitos geopolíticos, às injustiças e às nossas vidas pessoais. Em vez disso, devemos reconhecer que não existe um ser superior responsável por nós: devemos assumir a responsabilidade uns pelos outros e pelo mundo em que vivemos. “A ideia de que cada pequena coisa é imutável é uma filosofia moralmente errada”, argumenta Llanera.


Para mim, além de não acreditar nem defender a imutabilidade, não se trata de me sentir responsável ou resignada. Quanto mais tento conhecer e compreender o que se passa no mundo, mais impotente me sinto. Posso partilhar ideias e perspectivas diferentes, mas não tenho qualquer controlo sobre uma realidade que é controlada e manipulada por interesses mais ou menos obscuros e, acima de tudo, violentos e perigosos para a maioria de nós. Os "deuses humanos" que vão governando este mundo, têm-se mostrado mais monstruosos e hipócritas que benfeitores e bondosos.


O meu controlo está restringido às minhas acções, reacções, pensamento (na maioria das vezes) e intenções. Esse é o meu único poder.

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