(neo)moral
- 6 de jul. de 2024
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A lógica moral-económica, que faz da competição o princípio normativo básico da sociedade e da competitividade a virtude individual e colectiva última, não se limita à esfera das trocas de mercado, mas é tratada como uma racionalidade moral e política que pode ser estendida a todas as esferas da vida.
A competição exerce força moral, porque estipula que os vencedores terão merecido as suas recompensas (como propõe o ideal de "meritocracia"), mas também que os outros terão merecido o seu fracasso. Vistos de dentro desta estrutura, essas regiões, culturas e indivíduos, agora rotineiramente conhecidos como “deixados para trás” não são simplesmente infelizes ou ineficientes: são menos dignos moralmente porque são menos competitivos.
O sucesso dos espectáculos de talentos dá um vislumbre desta estrutura moral. Enquanto estes programas são ostensivamente sobre a identificação de “vencedores”, fazem-no por meio de um fluxo constante de eliminações, muitas vezes apresentando explosões emocionais dos perdedores. Uma coisa é sofrer um infortúnio ou escolher um caminho menos ambicioso na vida. Mas psicologicamente e moralmente, outra é habitar uma sociedade onde o “sucesso” e o “fracasso” são constantemente disputados, e outra coisa ainda é estar constantemente sobrecarregado com o último.











