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“Sociedades algorítmicas”

  • 29 de jun. de 2025
  • 1 min de leitura
Imagem Wix

Uma estratégia sofisticada (ou não). Não quebra nenhuma regra. Simplesmente requer compreender exactamente como funcionam os algoritmos e torná-los cúmplices.


Todas as grandes plataformas operam com base num princípio fundamental: quanto mais engajamento uma publicação recebe — gostos, partilhas, comentários, visualizações — mais o algoritmo a direcciona para os feeds de outras pessoas. Quanto mais rápido ocorrer este envolvimento, mais "urgente" o algoritmo o considera e mais amplamente se espalha. É assim que, por exemplo, um vídeo de gatos pode chegar a milhões de pessoas da noite para o dia.


Utilizado por “influenciadores”, políticos, média e por quem quer espalhar noticias falsas e desinformação, este mesmo mecanismo torna-se uma arma. Pode accionar o algoritmo deliberadamente, criando uma indignação tão intensa que convença o sistema de que as pessoas — muitas pessoas — se preocupam realmente com a questão em causa e querem ver mais conteúdo sobre a mesma.


Um golpe de feedback ocorre quando um evento de indignação é encenado de forma tão precisa e amplificado de forma tão agressiva que o algoritmo não tem outra escolha senão promovê-lo para o topo dos feeds — onde as pessoas que nunca o procuraram inevitavelmente o encontrarão.


As outrora sonhadas “sociedades de informação e conhecimento” transformaram-se em “sociedades algorítmicas”, alimentadas de rastros digitais que permitem um diálogo mais descentralizado, mas também promovem instabilidade, disseminação de conflitos e apelos à violência.

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