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Água mole em pedra dura

  • 20 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura
Imagem Wix

A psicologia mostra-nos que as ideias podem ser “plantadas” e gerar comportamentos que o indivíduo justifica por meio de racionalizações, já que não só não admite nem acredita estar a ser controlado ou manipulado pelos outros como reage ofensiva e defensivamente quando avisado ou informado. Existem estratégias sobejamente conhecidas (ou não) de moldar a opinião pública, utilizadas há décadas:


- Repetição Constante

Uma ideia repetida muitas vezes, mesmo que seja falsa ou imprecisa, acaba por ser aceite por inércia mental. A familiaridade cria uma sensação de verdade. "Já ouvi isso tantas vezes, deve ser verdade..."


- Controlo dos quadros de percepção da informação

Não se trata apenas do que é dito, mas da forma como é apresentado. Controlar a linguagem e a abordagem determina a forma como o público interpreta uma questão. Exemplo: "Reforma laboral" não é o mesmo que declarar claramente "perda de direitos laborais".


- Uso de figuras de autoridade ou celebridades

Quando uma pessoa famosa ou "de confiança" diz algo, o público baixa as defesas e aceita a ideia mais facilmente. O cérebro condicionado presume: "Se ele/ela diz, deve estar certo."

- Criar Narrativas Emocionais

As histórias ligam mais do que os dados. Se conseguir fazer com que as pessoas sintam medo, raiva ou empatia, poderá influenciar as suas opiniões sem que elas se apercebam. A emoção supera a lógica na maioria das decisões.


- Polarização e Simplificação

São construídos "lados" artificiais: preto ou branco, a favor ou contra, bom ou mau. Isto obriga o público a tomar partido sem nuances, anulando o pensamento crítico. Assim, qualquer pessoa que não se enquadre é rejeitada por ambos os lados.

Com a popularização e o crescente uso de redes sociais, estas estratégias moldaram-se ao meio. O conceito de “filtro bolha”, criado para descrever como os algoritmos personalizam o conteúdo online com base nas actividades do usuário, assim como o Big Nudging, um termo que define a fusão entre técnicas de nudging (arquitectura de escolha) e as capacidades da big data para moldar políticas governamentais e manipulação ideológica, são intervenções cada vez mais utilizadas.


Sucedem-se as notícias sobre o aumento de desinformação e “fake news”. Independente da sua origem e das consequências para a liberdade e democracia, não estamos mais perto de as eliminar. Aliás, segundo um estudo da Universidade de Melbourne, na Austrália, é cada vez mais difícil eliminar a desinformação devido à quantidade e dispersão: "os dados revelam que a “misinformation” (informação incorrecta) surge frequentemente da ignorância, enquanto a desinformação é fabricada propositadamente para afectar a opinião pública". Os autores do estudo defendem ser necessário uma supervisão e uma melhoria contínuas das próprias plataformas, uma supervisão extrema e a restrição por leis e regulamentos, bem como a melhoria da informação dos próprios utilizadores para identificação e julgamento do conteúdo.


Na minha perspectiva, enquanto nos focarmos em leis e regulamentos ao invés de lidarmos com o lado humano da questão, ou seja as crenças e convicções que nos tornam susceptíveis à manipulação, a questão só terá tendência a piorar.

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